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Guerra civil pelos royalties e inteligências artificiais embalam livro de ficção científica ambientado no Rio de Janeiro

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Em “Rio 2054”, segregação entre ricos e pobres serve de pano de fundo para romance cyberpunk

 A partilha de uma nova jazida de petróleo na cidade do Rio de Janeiro em 2020 leva a cidade a um cenário de guerra e deixa a população nas mãos de empresas. É neste clima de devastação e perigos que Jorge Lourenço tece o seu livro, “Rio 2054- Os Filhos da Revolução”.

Lançada pela Editora Novo Século, a obra transporta para o ano de 2054 questões que passam não só pelos atuais embargos dos royalties do petróleo, mas também, sobre a troca política em determinadas sociedades. “Não vejo [atualmente] uma revolução ou uma guerra civil se formando. Longe disso. Mas a influência das grandes empresas na política tem aumentado rapidamente. Se hoje vivemos isso, acho que em 2054 a situação pode ser bem pior”, diz o autor.

O livro também pede atenção para outros problemas sociais vividos na atualidade, como as diferenças sociais, que segundo Lourenço, tornaram-se ignoradas por grande parte da população. Para isto, “Rio 2054” trata de uma nova segregação na cidade. Ao invés da divisão entre o asfalto e a favela, o livro mostra uma metrópole partida em duas regiões. Na parte pobre, os habitantes vivem nos escombros dos bairros destruídos durante a guerra civil.

Aos moradores da Rio Beta sobravam os escombros da guerra naquilo que, um dia, fora uma cidade. Sem abastecimen­to regular de energia elétrica, saneamento básico, segurança ou qualquer administração, eles viviam numa terra sem lei não mui­to carinhosamente apelidada de Escombros”, cita o livro, em determinado ponto.

Segundo o autor, que cresceu numa comunidade carente do Rio de Janeiro, a experiência de viver numa favela lhe ajudou a criar o mundo partido de “Rio 2054”.

“O livro ‘Rio 2054’ é uma obra de entretenimento. É um livro de ficção científica cheio de reviravoltas, bons personagens e diálogos sólidos. Mas também é um lembrete do que vivemos hoje. O Rio de Janeiro e muitas grandes cidades do mundo já são radicalmente partidas entre ricos e pobres. Por mais brutal que a exclusão social da obra seja, ela já existe hoje em dia”, conta o autor.

A história do livro gira em torno de Miguel, morador da parte pobre da cidade e que acaba se vendo absorvido por um jogo de intrigas entre as corporações que controlam o Rio de Janeiro, ao mesmo tempo em que uma jovem perigosa com poderes psíquicos surge nos guetos.  De acordo com Jorge Lourenço, além do foco na ambientação, o desenvolvimento dos personagens é um traço fundamental de “Rio 2054”.

A história de Miguel, da androide Alice e de Angra é sobre crescimento, sobre tomar decisões e assumir ideias. Em alguns pontos, os personagens acabam sendo vítimas do destino. Mas, invariavelmente, vai caber a eles decidir o futuro da cidade e o rumo de suas próprias vidas”, explica.

Sobre o autor: Jornalista e fã de ficção científica, JORGE LOURENÇO já escreveu para o Jornal dos Sports, UOL e assinou a tradicional coluna de política do Jornal do Brasil, o Informe JB. Nascido e criado no Morro do Andaraí, cresceu com insônia e assistiu (até demais) filmes de ficção científica no Corujão, quando a TV a cabo não era tão acessível e a internet engatinhava. Fã de Gabriel Garcia Marquez, Haruki Murakami, games e mangás, não conseguiu se controlar; um dia, decidiu que precisava escrever um livro. O resultado está aqui: o mundo partido entre asfalto e favela, onde cresceu, serviu para dar vida à cidade de Rio 2054.

Ficha técnica
ISBN: 978-85-7679-864-4
Páginas: 376
Formato: 21 x 14
Preço: R$ 34,90

Leia a entrevista que a editora fez com o autor:

Novos Talentos: A questão dos royalties do petróleo, que levou ao contexto da história, foi baseada no atual embargo entre os Estados produtores de petróleo e não produtores? Você acredita que esta discussão, pode mesmo, levar ao contexto criado no livro?
Jorge Lourenço: Na história do livro, a guerra é motivada pela partilha de uma nova descoberta de petróleo no litoral do Rio de Janeiro. Esse confronto acontece em 2020, quando a economia brasileira já estaria desaquecida e dando sinais fortes de crise. Acho difícil a disputa atual terminar num conflito armado, mas quis explorar essa possibilidade para reforçar como a disputa interna por recursos naturais já arruinou a economia de alguns países. As minas de carvão na Europa, diamantes na África e o petróleo do Oriente Médio, apesar de parecerem vantajosos economicamente, prejudicaram muito as suas respectivas regiões. E o mesmo pode acontecer no Brasil se o petróleo não for bem administrado.

NT: Você afirma no livro: “Hoje, um quinto da população carioca vive em favelas. Para eles, esta obra de ficção é perigosamente verdadeira”. E para você?                                                                                                   
JL: Para mim também. Como disse antes, eu cresci numa favela. Hoje, quando a ficção científica mostra apartheids radicais entre ricos e pobres, temos o costume de ver aquilo com desdém, como se não fosse possível a sociedade chegar àquele ponto. Mas nós já vivemos assim. Vivemos num país onde se mata indiscriminadamente em operações nos morros, onde os direitos de quem vive na favela são completamente ignorados e esse “muro social” é cada vez mais intransponível. Hoje, não é difícil você ter no mesmo bairro um hospital público onde pacientes em estado grave esperam atendimento deitados no chão enquanto, perto dali, todo o aparato com tecnologia de ponta espera pacientes com dinheiro. E nós aceitamos isso sem questionar.

NT: A personagem Alice é uma máquina. Comente um pouco sobre a importância da ficção científica na sua obra, já que este tipo de ficção está presente no imaginário de muitos como algo futurista.
JL: A ficção científica é a chance que o autor tem de divagar sobre o futuro. Sempre gostei de temas que envolviam inteligências artificiais que adquiriam consciência, até porque, isso gera uma série de questionamentos éticos e científicos. Não acredito que, em 2054, teremos inteligências artificiais tão avançadas. Mas, em algum momento, teremos que lidar com essa questão.

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